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O que fazer para lidar com a raiva no ambiente de trabalho?

Dando um belo exemplo de um chefe e um empregado, Param Pujya Dada Bhagwan explica em que circunstâncias ficamos com raiva de um subordinado e, em tal situação, que tipo de interação devemos manter. Neste exemplo, que serve para lidar com a raiva no ambiente de trabalho, no lugar do chefe poderia estar qualquer superior, e no lugar do subordinado, qualquer pessoa que trabalhe sob nossa supervisão.

Um empregado se aproxima com uma bandeja cheia de xícaras, tropeça de repente e as xícaras se quebram; nesse momento, o chefe entra em pânico e fica furioso, como se sua alma tivesse se despedaçado. O que acontece então? Param Pujya Dada Bhagwan faz aqui uma descrição vívida da situação.

Dadashri: Até mesmo quando as xícaras quebram, a pessoa fica irritada. Ela repreende o empregado: “Suas mãos estão estragadas, é por isso que quebram.” Nesse momento, se a pessoa pensar: “Como eu me sentiria se estivesse no lugar dele? Quão mal eu me sentiria?”, será que alguém pensa assim? O que se passa na mente do empregado: “Este chefe está me repreendendo sem motivo, a culpa não é minha. Sou um empregado e estou trabalhando aqui, é por isso que ele está gritando comigo.” É assim que o pobre empregado se sente.

Portanto, é por falta de compreensão que os ricos magoam os pobres; afinal, será que algum servo quebraria xícaras? E se esse servo fosse quebrar algumas xícaras, não as quebraria diariamente? Só quando ele não consegue segurá-las nas mãos é que elas se quebram, não é verdade? Ninguém quebra nada neste mundo; é tudo sua própria conta (de karma) que está sendo paga. Nesse sentido, o pobre servo acaba se tornando um instrumento (nimit).

Mas, no momento em que as xícaras se quebram nas mãos do empregado, a senhora começa a gritar, e se o senhor (chefe) estiver sentado ali, até ele também fica irritado. Ora, se um dos sócios fica furioso, já é o suficiente, deixe que ele sozinho fique furioso! Por que todos os sócios teriam que ficar chateados? Numa empresa, se um dos sócios fica com raiva, já é mais do que o suficiente! Que a corneta de um soe! Mas será que as cornetas de todos devem soar juntas? Por que todas soam? Mesmo que alguém não queira, ainda assim ela soa, porque a ignorância os une! E quando todas as cornetas soam juntas, aquele empregado treme! Quando todos se lançam sobre ele, até aquela criança vai sair gritando que “ele merece levar uma surra”. O que acontecerá com aquele empregado, então?

Ele (Dadashri) explica que, se as xícaras caírem das mãos do empregado e se quebrarem, então, pelo contrário, deveríamos dizer: “Irmão, o chá quente caiu nos seus pés, espero que você não tenha se queimado!” Como ele se sentiria bem nesse momento! Um consolo que ninguém lhe daria, nem mesmo em sua própria casa; se oferecermos tal consolo, como o empregado se sentirá bem em sua mente!

Humanidade com o Subordinado

Quando o trabalho é prejudicado por nossos subordinados, ou quando ocorre algum erro ou dano no trabalho, nós os repreendemos com palavras duras ou gritamos com raiva: “Seus idiotas, vocês não prestam atenção!” Esse é um exemplo comum de raiva no trabalho. Nesse momento, o primeiro pensamento que deveria vir à nossa mente é: se alguém falasse conosco com raiva dessa forma, gostaríamos disso? E trabalharíamos adequadamente quando nossos superiores nos falassem, explicando as coisas com amor ou com raiva? O comportamento que gostamos, agir assim com os outros, isso se chama humanidade.

Dadashri: Se alguém está zangado conosco, não conseguimos tolerar isso e, durante todo o dia, ficamos zangados com todo mundo. Que tipo de sabedoria é essa?! Isso não se chama humanidade. Quem não consegue tolerar que alguém fique um pouquinho zangado com ele, essa pessoa fica zangada o dia inteiro com todo mundo; só porque são reprimidos, certo? Portanto, agredir os oprimidos é considerado um crime muito grave. Deve derrotar o superior, Deus ou o superior, porque ele é superior, ele é poderoso. Como o inferior não tem poder, então, durante toda a vida, segue-se batendo nele. Inferior significa que, por mais culpado que ele seja, eu sempre o salvei. Mas o superior, por melhor que ele seja, eu não posso me dar ao luxo de ter um superior e também não quero ser superior a ninguém. Se ele for bom, não me importo. Mas isso não significa que ele permanecerá sempre o mesmo, certo?! Basta que ele fale de tal forma que cause dor de cabeça… Superior é aquele que cuida de seu subordinado! Esse é o verdadeiro superior. Estou em busca de um verdadeiro superior. Seja meu superior, mas seja o verdadeiro superior. Não nascemos para sermos repreendidos; você grita, nascemos para isso? Que grande coisa você vai nos dar (para que tenhamos de suportar esse absurdo)?

E se alguém está servindo na sua casa, então nunca o desonre, nunca o incomode. Trate todos com respeito. (Não sabemos) De quem e que benefício podemos ganhar!

Externamente, de maneira teatral, cumpra seu papel como chefe, mas internamente, mantenha tal entendimento que, “sou chefe em função de ter um empregado, não tenho o direito de ficar bravo com ele.” Se falarmos com os outros com amor, o resultado será frutífero. Se tentarmos fazer isso com irritação na mente, isso estragará o trabalho.

Comporte-se Como um Amigo, Não Como um Chefe

Muitas vezes, no escritório, quando as pessoas que trabalham para nós não terminam o trabalho no prazo, algum trabalho acaba ficando comprometido, algum erro acontece e ficamos irritados com elas. Nesses momentos, que entendimento devemos manter para evitar que surja raiva no ambiente de trabalho?

Existem leis da natureza que operam por trás de todo trabalho realizado. Quando os instrumentos (através dos quais o trabalho deve ser executado) e as circunstâncias se conectam, e o tempo chega, então o trabalho é concluído. Portanto, se o trabalho não for realizado no prazo, devemos descobrir quais circunstâncias o paralisaram. Quase todo trabalho depende de uma série de circunstâncias. Quando uma dessas circunstâncias não é atendida, o trabalho é interrompido; nesse caso, é possível que não seja falha da pessoa. Mantendo a paciência, devemos orar para que as circunstâncias ausentes sejam atendidas e, sem estragar nossa mente, devemos fazer o ajuste apropriado.

Também devemos entender que não é o desejo da pessoa que o trabalho esteja atrasado. Se o trabalho está demorando, devemos verificar por que não está sendo concluído. Será que a pessoa responsável não está compreendendo como fazer, será que está sobrecarregada com outras tarefas ou precisa de mais ajuda? Quando o problema surgir, em vez de culpar alguém, devemos encontrar a causa e buscar uma solução. Dessa forma, compreenderemos os problemas que surgem no trabalho, encontraremos soluções e a pessoa que o executa também obterá insights.

Por outro lado, também, ao se irritar, o trabalho não é concluído mais rapidamente. Pelo contrário, o trabalho fica ainda mais prejudicado, surgem obstáculos e, como o ego da pessoa fica ferido, ela se revolta: "Não quero mais fazer isso, deixa o trabalho ficar estragado mesmo!" Portanto, em vez disso, devemos tratar o empregado como um amigo.

No entanto, se parecer que as pessoas estão se esquivando do trabalho e atrasando as tarefas, devemos chamá-las em particular e explicar: “Se o seu trabalho atrasar, isso afetará muitos outros trabalhos e pessoas, e a empresa também terá prejuízos”. Se, mesmo após explicar duas ou quatro vezes, o trabalho não for concluído, então diga com amor: “Estamos sob pressão da diretoria. Se essa quantidade de trabalho não for concluída, embora não queiramos, seremos obrigados a tomar as medidas necessárias.” É assim que, na medida do possível, deve-se lidar com a situação sem gerar raiva no ambiente de trabalho.

Pratikraman (Arrependimento)

Quando alguém que trabalha conosco se sentir magoado por causa da nossa raiva, é preciso pedir perdão de coração ao Deus que habita nele, e decidir não se irritar novamente. Se possível, vá até essa pessoa pessoalmente e peça desculpas: "Por causa da minha raiva eu magoei muito você, peço desculpas por isso."

Às vezes, no ambiente de trabalho, seja no escritório ou nos negócios, temos receio de pedir perdão a alguém pessoalmente, temendo sermos insultados ou constrangidos. O que fazer em tal situação? Param Pujya Dada Bhagwan nos dá essa compreensão.

Peça Perdão Internamente!

Interlocutor: Dada, quando praticamos o arrependimento ou pratikraman, muitas vezes acontece que, quando cometemos algum erro ou ficamos com raiva de alguém, sentimos uma queimação interior por saber que o que aconteceu foi errado, mas não temos coragem de pedir perdão diante dessa pessoa.

Dadashri: Não peça perdão dessa forma. Caso contrário, eles irão insultá-lo, dizendo: "Sim, agora você se redimiu, não é?". É assim mesmo. As pessoas não são nobres. Não são pessoas para as quais vale a pena pedir perdão. Portanto, peça perdão apenas por dentro, internamente, lembrando-se de sua Alma pura! Pode haver dez entre milhares que, mesmo antes de pedirmos desculpas, se curvam ainda mais.

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